Carta para minha Amiguinha de Infância


Querida Vitória,

Ás vezes quando as memórias de minha infância invadem-me, lembro-me de nossa amizade quando éramos pequeninas. Recordo-me até hoje mais ou menos quando nos conhecemos, ainda que foi tudo um empurrãozinho de minha mãe, já que eu era tão tímida, para fazer qualquer coisa que eu quisesse, por impulso.
Lembro-me que tu estavas no passeio quase que em frente a minha casa, brincando aparentemente sozinha, e minha mãe disse para ir até você e perguntar teu nome, — fui mesmo com vergonha e com a minha mãe do lado. — Um tempinho depois, nós já  estávamos juntas brincando com a terra da rua, com as nossas bonecas, e alguns dias depois já estávamos na casa da outra brincando com os nossos brinquedos os dividindo uma com a outra, nos conhecendo.
Recordo até do ano que comecei a estudar na mesma escola que você, quando tínhamos 6 anos. Apesar que tínhamos a mesma idade você era uma série à frente a minha. Então os nossos recreios na escola eram diferentes.  O meu vinha primeiro. E quando batia o sinal do término do meu intervalo e do início do seu, eu corria para a sua sala para falar contigo e você me mostrava teus materiais, e as novidades que tinha.
Também recordo de alguma das vezes que íamos juntas para escola sozinhas. No caminho brincadeiras eram contidas, junto com um pacote da salgadinhos em nossas mãos que  comprávamos. Passávamos por um lugar que tinha uma ponte que eu temia, mas era divertido.
Ah, mais também brigávamos, nós brigava e depois voltávamos a nos falar. Brigávamos novamente e voltávamos a nos falar de novo. Típico de algumas crianças. Éramos crianças as vezes tão bobas.
E o seu aniversário de 7 anos? também lembro. O tema da festa foi da Cinderela e você estava com o vestido e coroa de princesa, encantadora. — Eu achava tão bonito festas de aniversários assim. — Também nos divertimos naquele dia.
Também recordo do seu irmão e vagamente de seus pais. Daquele dia que nós e meu irmão fomos andar em meio as árvores ao lado de minha casa, perto do córrego. Das nossas travessuras de criança. Quando os meus pais saíam para trabalhar e ás vezes eu ia para sua casa para brincarmos. Lembro até das vezes que você queria que eu dormisse por lá, para assistirmos filmes da barbie, ler histórias juntas até finalmente pegarmos no sono. Mas minha mãe preocupada, nunca deixava.
Rememoro de outras coisas também mas por último, o dia em que fui embora. Nós não estávamos nos falando muito. As nossas mães não deixavam a gente ir uma na casa da outra, por motivos que  não me lembro. Mas recordo, você estava subindo o morro da minha casa, que antes era revestido por terra, e tu tinha perguntado se eu iria ir mesmo, deixando o lugar. E eu confirmei dizendo que iria e já estávamos indo inclusive. Não deu muito tempo para tu dizer-me mais coisas, e você continuou à subir o morro, correndo. — Provavelmente para fazer algum favor à sua mãe. Mas que pena que tu não voltou à tempo de nos despedimos.
Quase 10 anos depois quando voltei aquelas ruas para ir à casa de uma amiga da minha mãe junto com ela, meu irmão, pai e minha priminha, eu não tive coragem de bater à sua porta. Mesmo sabendo por terceiros que você e sua família ainda moravam lá, naquela mesma casa. Eu pedi para minha mãe  acompanhar-me até lá, mas ela não quis e eu acabei ficando sem coragem de ir sozinha. Eu não sei como tu iria me receber, pois passou tanto tempo. Eu ficara chateada pela minha mãe não ter me acompanhado mas depois vi que era melhor assim. Pois eu não sei se ainda lembras de mim. Sua imagem em minha mente está um pouco desfocada, mas eu ainda, tenho lembranças tua. And well, não sei bem como estas agora, mas espero que muito bem. E também espero que a vida nos dê de presente uma de suas surpresas, nos dando um reencontro, ainda um dia. Eu nem sei como seria, mas que eu ficaria feliz em reencontrá-la.
Com carinho, 
de sua melhor Amiga da Infância,
I.
4:36 AM

4 comentários:

  1. Que cartinha mais linda, Geo! Deu uma nostalgia dos tempos da infância. Você me fez lembrar de um amigo que eu tinha quando era pequena, ele estudava na mesma sala que eu, acho que eu tinha essa idade de 6 ou 7 anos. Nós éramos muito próximos e eu gostava um pouco dele. Só que ai ele teve que se mudar, parece que ia com a familia morar na Alemanha e ai eu disse pra ele e pra irmã dele nunca me esquecerem, que eu continuaria sempre morando por ali. Perdemos o contato e quando foi em 2016 eu acho, parece que ele voltou só que não nos vimos. Acho que ele nem lembra mais de mim kkkk
    Entendo mais ou menos o que você deve ter sentido por não ter visitado sua amiga. Mas você teve a oportunidade, seria melhor ter tentado e ter ficado com a mente sem dúvidas do que poderia ter acontecido. Quando você vai visitar novamente pra lá?
    Adorei muito sua cartinha!!

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    1. Não sei quando por lá retornarei.
      E sim, eu podia ter acabado com esta dúvida, mas de alguma forma penso ter sido melhor assim.
      Quanto a você, talvez ele lembre de ti sim, ou sei lá shahsu — Imaginativa como também sou, até inventei uma historinha em minha mente caso encontrem-se fortuitamente shaushua.
      E Obrigadaaaa <3 eu adorei muito tu ter partilhado esta tua lembrança e ter deixado mais um comentário amorzinho por aqui. Beijos ♡ ❀ ✿

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  2. Que blog mais encantado de lindo!
    Que cartinha mais amor, trouxe tanta ternura para o meu coração.
    Agradeço sua visita, me proporcionou esse encontro lindo com o seu blog.

    Beijos!

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    1. E que comentário mais amorzinho, que me fizera sentir aquele quentinho gostoso no coração.
      Obrigada também, pela visita bastante adorável <3
      Teu blog também é encantador, sinto-me acalentada por suas palavras. Beijos ♡ ❀ ✿

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